Ora aqui está uma fotografia pertencente a Francisco Mota, do fantocheiro de Joaquim Pinto.
Ao observar mais atentamente
Reparem que:
Existe um cenário de fundo, onde claramente se observa uma porta na dimensão das marionetas.
O roberto está sentado numa cadeira.
Reparem na dimensão da navalha do barbeiro.
O barbeiro está vestido com túnica branca.
Irei continuar a análise desta fabulosa imagem.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Reportório chegado até nós!
São 4 as histórias realizadas pelos bonecreiros portugueses:
O barbeiro
A tourada
O castelo dos fantasmas - apenas realizado pelo bonecreiro José Gil
Rosa e os três namorados - apenas realizado pelo bonecreiro José Gil
O barbeiro é a peça mais comumente realizada:
Existem algumas controvérsias relativamente à história, que não poderei esclarecer visto não ter realmente a certeza da origem destas ponderações.
"O Roberto vai ao barbeiro fazer a barba no dia em que irá casar com a sua namorada, o barbeiro executa com várias tropelias habilmente a seu ofício, cobrando 10 tostões os quais achando roberto um exagero, não paga. Inicia aqui uma luta de tal pancadaria que acaba com a morte do barbeiro.
Virá o padre para fazer o funeral, que apesar das diversas tropelias saírá com o caixão, para rapidamente aparecer o polícia, o diabo e a morte. Só roberto viverá."
Deste modo é realizada a história pela grande maioria dos bonecreiros, mas deixo aqui outras versões:
Francisco Mota:
Teatro de bonifrates e de sombras
Maria Palmira Moreira da Silva
"Apaixonado pela Rosa, que por sinal era toda boa, D. Roberto (artur) decide casar-se. No dia do seu casamento vai ao barbeiro fazer a barba e arranjar o cabelo. O barbeiro executa o seu trabalho num ambiente de divertida brincadeira. Por fim apresenta a conta. D. Roberto (artur) não paga por achar muito caro. Trava-se uma luta e o barbeiro acaba por matar o cliente. A polícias, os amigos e o próprio diabo acusam o barbeiro da sua crueldade e estes s todos corre à cacetada.
Faz-se o enterro onde o padre é agredido. Por fim surge o fantasma do Artur, tentando atormentar o barbeiro. Este nada temendo mata o fantasma à paulada. (simbologia do roberto que mata a morte)"
Ora aqui vos deixo o relato de Vitor Costa filho do Mestre Santa Bárbara
http://vitorcosta1971.wix.com/robertos/home
"O joao vai ao barbeiro fazer a barba e arranjar o cabelo para estar devidamente apresentado no dia do seu casamento.
No final do seu trabalho, o barbeiro apresenta a conta, o joao não paga por achar o preço exagerado envolvendo uma cena de pancadaria na qual morre o joao.
O barbeiro sem qualquer ressentimento corre ainda á paulada o diabo, o polícia e todos os personagens que o tentam acusar da morte do joao; sendo este enterrado e indo o barbeiro agredir o padre no funeral por representar para a figura do barbeiro uma hipocrisia religiosa.
Terminando desta forma, o teatro de tradição oral."
Existem diversos adereços utilizados nesta cena:
bastão
(comum a todas as cenas)
Para a cena do barbeiro
A vassoura
O prato da barba
O pano do barbeiro
A navalha da barba
Para a cena do padre
O caixão
Para a cena do diabo
dispositivo de fogo
para a cena da morte
a foice
É claro que nem todos os bonecereiros usam estes adereços e artíficios, mas estão amplamente presentes.
| Francisco Mota - O barbeiro diabólico |
| tourada à portuguesa |
O castelo dos fantasmas - José Gil
Rosa e os três namorados - Jose Gil
O barbeiro
A tourada
O castelo dos fantasmas - apenas realizado pelo bonecreiro José Gil
Rosa e os três namorados - apenas realizado pelo bonecreiro José Gil
O barbeiro é a peça mais comumente realizada:
Existem algumas controvérsias relativamente à história, que não poderei esclarecer visto não ter realmente a certeza da origem destas ponderações.
"O Roberto vai ao barbeiro fazer a barba no dia em que irá casar com a sua namorada, o barbeiro executa com várias tropelias habilmente a seu ofício, cobrando 10 tostões os quais achando roberto um exagero, não paga. Inicia aqui uma luta de tal pancadaria que acaba com a morte do barbeiro.
Virá o padre para fazer o funeral, que apesar das diversas tropelias saírá com o caixão, para rapidamente aparecer o polícia, o diabo e a morte. Só roberto viverá."
Deste modo é realizada a história pela grande maioria dos bonecreiros, mas deixo aqui outras versões:
Francisco Mota:
Teatro de bonifrates e de sombras
Maria Palmira Moreira da Silva
"Apaixonado pela Rosa, que por sinal era toda boa, D. Roberto (artur) decide casar-se. No dia do seu casamento vai ao barbeiro fazer a barba e arranjar o cabelo. O barbeiro executa o seu trabalho num ambiente de divertida brincadeira. Por fim apresenta a conta. D. Roberto (artur) não paga por achar muito caro. Trava-se uma luta e o barbeiro acaba por matar o cliente. A polícias, os amigos e o próprio diabo acusam o barbeiro da sua crueldade e estes s todos corre à cacetada.
Faz-se o enterro onde o padre é agredido. Por fim surge o fantasma do Artur, tentando atormentar o barbeiro. Este nada temendo mata o fantasma à paulada. (simbologia do roberto que mata a morte)"
Ora aqui vos deixo o relato de Vitor Costa filho do Mestre Santa Bárbara
http://vitorcosta1971.wix.com/robertos/home
"O joao vai ao barbeiro fazer a barba e arranjar o cabelo para estar devidamente apresentado no dia do seu casamento.
No final do seu trabalho, o barbeiro apresenta a conta, o joao não paga por achar o preço exagerado envolvendo uma cena de pancadaria na qual morre o joao.
O barbeiro sem qualquer ressentimento corre ainda á paulada o diabo, o polícia e todos os personagens que o tentam acusar da morte do joao; sendo este enterrado e indo o barbeiro agredir o padre no funeral por representar para a figura do barbeiro uma hipocrisia religiosa.
Terminando desta forma, o teatro de tradição oral."
Existem diversos adereços utilizados nesta cena:
bastão
(comum a todas as cenas)
Para a cena do barbeiro
A vassoura
O prato da barba
O pano do barbeiro
A navalha da barba
Para a cena do padre
O caixão
Para a cena do diabo
dispositivo de fogo
para a cena da morte
a foice
É claro que nem todos os bonecereiros usam estes adereços e artíficios, mas estão amplamente presentes.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Museu da Marioneta
Convento das Bernardas
Rua da Esperança, n° 146
1200-660 Lisboa
Tel +351 213 942 810
Fax +351 213 942 819
Geral museudamarioneta@egeac.pt
Web www.museudamarioneta.egeac.pt
O Museu da marioneta tem reunido diversos espólios, é incontornável uma visita para conhecerem melhor e mais profundamente o Teatro Dom Roberto.
Rua da Esperança, n° 146
1200-660 Lisboa
Tel +351 213 942 810
Fax +351 213 942 819
Geral museudamarioneta@egeac.pt
Web www.museudamarioneta.egeac.pt
O Museu da marioneta tem reunido diversos espólios, é incontornável uma visita para conhecerem melhor e mais profundamente o Teatro Dom Roberto.
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| fantoche polícia - Faustino Duarte |
Manuel Rosado - fantoche campino
tradição europeia - teatro de fantoches
domingo, 7 de outubro de 2012
Registo - João Paulo Seara Cardoso
Testemunho de inestimável valor para a história do Teatro de Dom Roberto
Este testemunho vem na discussão sobre alguns conteúdos da Enciclopédia Internacional da Marioneta.
"
Em 1981, num Encontro Nacional de Fantoches, vi pela primeira vez o Teatro Dom Roberto de Mestre António Dias. Nós, a malta nova e entusiasta, ficávamos fascinados e, no final das representações, lá íamos todos para junto do bonecreiro tentando descobrir os mistérios indecifráveis dos Robertos. Mas o Mestre guardava-os bem… E o Francisco Esteves, “guardião do templo”, sempre por perto, refreava os nossos ímpetos o mais que podia dizendo que aquilo era coisa “sagrada”. Bom, de volta a casa, os robertos ficaram-se-me colados no pensamento. Eu era, por essa altura, um interessado e estudioso de formas de teatro popular e o Teatro Dom Roberto configurava um extraordinário exemplo de teatro “democrático”, nesses tempos ainda imbuídos de um certo espírito pós-revolucionário. Senti que era necessário fazer alguma coisa para preservar aquele tesouro da nossa cultura. E decidi fazer o Teatro Dom Roberto. O que é certo é que, baseado nas notas que tinha tomado e, depois de muitas tentativas e ensaios, lá consegui fazer A Tourada. Um ano depois, em 11 de Setembro de 1982, apresentei a peça no Encontro Nacional de Fantoches de Aveiro, integrado num espectáculo do TAI –“ Trupe Maravilha”, perante o olhar incrédulo dos meus amigos marionetistas e do grande António Dias. A representação até correu bem, mas toda a gente deve ter sentido um certo desconforto e deve ter tido a sensação de que alguma coisa tinha sido profanada. O Mestre Esteves criticou-me com alguma rudeza. Eu estava super nervoso e receoso mas, quando cheguei à porta do teatro, o Dias veio logo ter comigo. E eu pensei: “Estou feito!” Olhou para mim com aquele olho que ainda via alguma coisa e disse-me discretamente:” Você tem jeito”. Foi um alívio! O Mestre não me tinha dado uma paulada. Depois fomos os dois beber um copo e ele confessou que, apesar da “malta nova” insistir muito com ele, a sua arte não era coisa que se ensinasse assim sem mais nem menos, como alguns pretendiam. No meio da conversa, eu disse-lhe qualquer coisa deste género: “Ó Mestre, gostava muito que me ensinasse os Robertos, mas penso que seria também muito importante fazer um registo e um estudo do seu teatro. Lembre-se que você é o último bonecreiro profissional em actividade e esta tradição tão bonita corre o risco de se perder”. Ele concordou e adorou a ideia de vir até ao Porto para trabalharmos juntos. Como estava destacado no FAOJ (era funcionário do Instituto de Tecnologia Educativa – com ordenado mensal pela primeira vez na sua vida, graças ao Mestre Esteves ) e eu também aí trabalhava, combinamos tudo entre nós e eu apresentei uma proposta interna. Em Janeiro de 1983, o Mestre Dias chegava ao Porto para uma estadia de trabalho de 12 dias (que se viria a prolongar por mais 10), que previa espectáculos nos Jardins do Porto, que tinham tradição de Robertos e nos quais ele tinha actuado há muitos anos, encontros com grupos de teatro e associações, actuações nas escolas e sessões de trabalho para registo das peças e da sua longa vida de bonecreiro. Foi o grande momento de merecida consagração da sua vida; os jornais e a televisão deram excelente cobertura e o Mestre foi extraordinariamente acarinhado pelas pessoas que foi conhecendo. O maior estudioso da história do Porto, Germano Silva, que o conhecera nos anos 40, escreveu no Jornal de Notícias:”Com o seu capote surrado, com a cegueira velando-lhe os olhos, continua ele, sem parança, cavalgando as asas do sonho, por todo este país que ainda não pagou a quem mais deve”. Para mim e para ele foram dos melhores tempos das nossas vidas. Trabalhávamos bastante, mas sobrava sempre um pouco de tempo para irmos a uma tasquinha onde tagarelávamos agarrados a um copo de vinho. Como eu gostava daquele homem… Era de uma generosidade enorme! E lá fomos fazendo o registo das peças, em vídeo. Quando chegou a altura de gravar “A Rosa e os Três Namorados”, que ele já não fazia há muitos anos, ensinou-me pacientemente o meu papel de “moço-ajudante” e lá nos metemos os dois dentro da barraca… foi uma boa sensação!
Recordo-me também que andamos à procura nas retrosarias antigas do Porto da famosa fita de nastro em que deviam ser feitas as palhetas (“é aquela que tem um gatinho…”). E encontramos. Fabriquei-lhe meia dúzia de palhetas segundo as suas recomendações, porque ele já estava quase cego e não era capaz de o fazer. Nos finais de Janeiro despedimo-nos na estação de Campanhã e o Mestre voltou para Lisboa.
Ficamos ligados para sempre. Ele tinha um grande desgosto que o seu filho Zé não quisesse aprender os Robertos e eu, provavelmente, fui um pouco a compensação para a sua mágoa. Ainda veio algumas vezes ao Senhor de Matosinhos, por iniciativa do Queiroga Santos, e era nesses ambientes que o Mestre se sentia bem. Visitava-o em Lisboa frequentemente. Nunca me deixou ir a sua casa (“é muito pobre, percebe…”). Encontrávamo-nos num tasco próximo e púnhamos as conversas em dia. A sua saúde não andava nada boa desde que, há alguns anos atrás, tivera um AVC que lhe afectara a visão e a fala. A mulher também estava muito mal, por essa altura. E o filho andava metido em maus caminhos… Às vezes, pedia-me dinheiro para medicamentos e para os estudos do filho.
Quando o Mestre faleceu, em Agosto de 1989, na sequência de um incêndio que ele próprio tinha provocado na casa, devido à falta de visão, eu estava de férias, incontactável. Não soube de nada. Quando cheguei a casa, tinha um telegrama com a notícia da morte que tinha ocorrido há quinze dias. Claro que chorei, porrrrra, eu gostava mesmo daquele homem. Chapou-se-me no pensamento a fachada da sua pobre casa a arder e não pude deixar de recordar que o fogo também já tinha levado para o céu os “diabos” de Santo Aleixo e o “diabólico” Judeu. Aquele diabinho vermelho que ardia dentro da mala do Mestre estava a rir-se. Ele também ia para o céu, para junto dos anjos. Benditos bonecos, bendito homem.
De uma forma muito sucinta (e, desculpem, um pouco emocionada) – um dia gostaria de escrever mais desenvolvidamente sobre esta e outras questões – é esta a história do meu relacionamento com Mestre António Dias e a origem do meu amor e dedicação aos robertos, que viria a mudar a minha vida – foi nesta altura que decidi dedicar-me em exclusivo às marionetas.
Conclusão: as frases que constam na Encyclopedie, “… Mestre António Dias, que transmitiu a sua experiência a João Paulo Seara Cardoso, que o acompanhou até ao fim da sua carreira e recriou todo o seu reportório” e “… António Dias, que com o seu Teatro Dom Roberto, constituiu uma fonte de inspiração para as jovens gerações, transmitiu o seu reportório e o seu testemunho a João Paulo Seara Cardoso”, estão CORRECTÍSSIMAS.
Não há, pois, nenhuma “inverdade” nem nenhuma “desonestidade intelectual” nas afirmações! Existem, na verdade, mais três pessoas que fazem os robertos em Portugal: o José Gil, o Raul Pereira e o Manuel Dias. Todos começaram a fazer os seus espectáculos depois da morte de Mestre Dias. O Raul foi o primeiro. Aprendeu comigo e confesso que me custou, foi como se me tirassem um filhinho das mãos mas, pronto, eu sabia que teria que ser assim. Tenho um orgulho enorme da nossa “confraria dos robertos” e senti-me imensamente feliz quando, pela primeira vez, actuamos os quatro em frente ao Mosteiro de Alcobaça.
E pronto, amigo Gama, como vês, o teu excelente post trilingue também contém erros “grosseiros”. Este que acabo de escrever também os poderá ter. Ninguém é perfeito, isso seria uma chatice. Como disse o Beckett: “Try again. Fail again. Fail better.”
Um abraço para todos."
João Paulo Seara Cardoso
Este testemunho vem na discussão sobre alguns conteúdos da Enciclopédia Internacional da Marioneta.
"
Em 1981, num Encontro Nacional de Fantoches, vi pela primeira vez o Teatro Dom Roberto de Mestre António Dias. Nós, a malta nova e entusiasta, ficávamos fascinados e, no final das representações, lá íamos todos para junto do bonecreiro tentando descobrir os mistérios indecifráveis dos Robertos. Mas o Mestre guardava-os bem… E o Francisco Esteves, “guardião do templo”, sempre por perto, refreava os nossos ímpetos o mais que podia dizendo que aquilo era coisa “sagrada”. Bom, de volta a casa, os robertos ficaram-se-me colados no pensamento. Eu era, por essa altura, um interessado e estudioso de formas de teatro popular e o Teatro Dom Roberto configurava um extraordinário exemplo de teatro “democrático”, nesses tempos ainda imbuídos de um certo espírito pós-revolucionário. Senti que era necessário fazer alguma coisa para preservar aquele tesouro da nossa cultura. E decidi fazer o Teatro Dom Roberto. O que é certo é que, baseado nas notas que tinha tomado e, depois de muitas tentativas e ensaios, lá consegui fazer A Tourada. Um ano depois, em 11 de Setembro de 1982, apresentei a peça no Encontro Nacional de Fantoches de Aveiro, integrado num espectáculo do TAI –“ Trupe Maravilha”, perante o olhar incrédulo dos meus amigos marionetistas e do grande António Dias. A representação até correu bem, mas toda a gente deve ter sentido um certo desconforto e deve ter tido a sensação de que alguma coisa tinha sido profanada. O Mestre Esteves criticou-me com alguma rudeza. Eu estava super nervoso e receoso mas, quando cheguei à porta do teatro, o Dias veio logo ter comigo. E eu pensei: “Estou feito!” Olhou para mim com aquele olho que ainda via alguma coisa e disse-me discretamente:” Você tem jeito”. Foi um alívio! O Mestre não me tinha dado uma paulada. Depois fomos os dois beber um copo e ele confessou que, apesar da “malta nova” insistir muito com ele, a sua arte não era coisa que se ensinasse assim sem mais nem menos, como alguns pretendiam. No meio da conversa, eu disse-lhe qualquer coisa deste género: “Ó Mestre, gostava muito que me ensinasse os Robertos, mas penso que seria também muito importante fazer um registo e um estudo do seu teatro. Lembre-se que você é o último bonecreiro profissional em actividade e esta tradição tão bonita corre o risco de se perder”. Ele concordou e adorou a ideia de vir até ao Porto para trabalharmos juntos. Como estava destacado no FAOJ (era funcionário do Instituto de Tecnologia Educativa – com ordenado mensal pela primeira vez na sua vida, graças ao Mestre Esteves ) e eu também aí trabalhava, combinamos tudo entre nós e eu apresentei uma proposta interna. Em Janeiro de 1983, o Mestre Dias chegava ao Porto para uma estadia de trabalho de 12 dias (que se viria a prolongar por mais 10), que previa espectáculos nos Jardins do Porto, que tinham tradição de Robertos e nos quais ele tinha actuado há muitos anos, encontros com grupos de teatro e associações, actuações nas escolas e sessões de trabalho para registo das peças e da sua longa vida de bonecreiro. Foi o grande momento de merecida consagração da sua vida; os jornais e a televisão deram excelente cobertura e o Mestre foi extraordinariamente acarinhado pelas pessoas que foi conhecendo. O maior estudioso da história do Porto, Germano Silva, que o conhecera nos anos 40, escreveu no Jornal de Notícias:”Com o seu capote surrado, com a cegueira velando-lhe os olhos, continua ele, sem parança, cavalgando as asas do sonho, por todo este país que ainda não pagou a quem mais deve”. Para mim e para ele foram dos melhores tempos das nossas vidas. Trabalhávamos bastante, mas sobrava sempre um pouco de tempo para irmos a uma tasquinha onde tagarelávamos agarrados a um copo de vinho. Como eu gostava daquele homem… Era de uma generosidade enorme! E lá fomos fazendo o registo das peças, em vídeo. Quando chegou a altura de gravar “A Rosa e os Três Namorados”, que ele já não fazia há muitos anos, ensinou-me pacientemente o meu papel de “moço-ajudante” e lá nos metemos os dois dentro da barraca… foi uma boa sensação!
Recordo-me também que andamos à procura nas retrosarias antigas do Porto da famosa fita de nastro em que deviam ser feitas as palhetas (“é aquela que tem um gatinho…”). E encontramos. Fabriquei-lhe meia dúzia de palhetas segundo as suas recomendações, porque ele já estava quase cego e não era capaz de o fazer. Nos finais de Janeiro despedimo-nos na estação de Campanhã e o Mestre voltou para Lisboa.
Ficamos ligados para sempre. Ele tinha um grande desgosto que o seu filho Zé não quisesse aprender os Robertos e eu, provavelmente, fui um pouco a compensação para a sua mágoa. Ainda veio algumas vezes ao Senhor de Matosinhos, por iniciativa do Queiroga Santos, e era nesses ambientes que o Mestre se sentia bem. Visitava-o em Lisboa frequentemente. Nunca me deixou ir a sua casa (“é muito pobre, percebe…”). Encontrávamo-nos num tasco próximo e púnhamos as conversas em dia. A sua saúde não andava nada boa desde que, há alguns anos atrás, tivera um AVC que lhe afectara a visão e a fala. A mulher também estava muito mal, por essa altura. E o filho andava metido em maus caminhos… Às vezes, pedia-me dinheiro para medicamentos e para os estudos do filho.
Quando o Mestre faleceu, em Agosto de 1989, na sequência de um incêndio que ele próprio tinha provocado na casa, devido à falta de visão, eu estava de férias, incontactável. Não soube de nada. Quando cheguei a casa, tinha um telegrama com a notícia da morte que tinha ocorrido há quinze dias. Claro que chorei, porrrrra, eu gostava mesmo daquele homem. Chapou-se-me no pensamento a fachada da sua pobre casa a arder e não pude deixar de recordar que o fogo também já tinha levado para o céu os “diabos” de Santo Aleixo e o “diabólico” Judeu. Aquele diabinho vermelho que ardia dentro da mala do Mestre estava a rir-se. Ele também ia para o céu, para junto dos anjos. Benditos bonecos, bendito homem.
De uma forma muito sucinta (e, desculpem, um pouco emocionada) – um dia gostaria de escrever mais desenvolvidamente sobre esta e outras questões – é esta a história do meu relacionamento com Mestre António Dias e a origem do meu amor e dedicação aos robertos, que viria a mudar a minha vida – foi nesta altura que decidi dedicar-me em exclusivo às marionetas.
Conclusão: as frases que constam na Encyclopedie, “… Mestre António Dias, que transmitiu a sua experiência a João Paulo Seara Cardoso, que o acompanhou até ao fim da sua carreira e recriou todo o seu reportório” e “… António Dias, que com o seu Teatro Dom Roberto, constituiu uma fonte de inspiração para as jovens gerações, transmitiu o seu reportório e o seu testemunho a João Paulo Seara Cardoso”, estão CORRECTÍSSIMAS.
Não há, pois, nenhuma “inverdade” nem nenhuma “desonestidade intelectual” nas afirmações! Existem, na verdade, mais três pessoas que fazem os robertos em Portugal: o José Gil, o Raul Pereira e o Manuel Dias. Todos começaram a fazer os seus espectáculos depois da morte de Mestre Dias. O Raul foi o primeiro. Aprendeu comigo e confesso que me custou, foi como se me tirassem um filhinho das mãos mas, pronto, eu sabia que teria que ser assim. Tenho um orgulho enorme da nossa “confraria dos robertos” e senti-me imensamente feliz quando, pela primeira vez, actuamos os quatro em frente ao Mosteiro de Alcobaça.
E pronto, amigo Gama, como vês, o teu excelente post trilingue também contém erros “grosseiros”. Este que acabo de escrever também os poderá ter. Ninguém é perfeito, isso seria uma chatice. Como disse o Beckett: “Try again. Fail again. Fail better.”
Um abraço para todos."
João Paulo Seara Cardoso
Registo - José Gil
Deixo-vos aqui o testemunho de um dos bonecreiros e de como iniciou o seu trabalho com o Teatro Dom Roberto.
Eu
(José Gil) conheci o Mestre António Dias por volta de 1982, quando este veio
fazer uma apresentação do teatro Dom Roberto na minha escola, a convite da
professora Lúcia Serralheiro (fundadora do grupo Pequenos Comediantes de Trapos
e Farrapos em Alcobaça). Apesar de já ter visto várias vezes nas praias da
Nazaré e em São Pedro de Moel o espectáculo Dom Roberto, nunca tinha tido a
oportunidade de falar com o mestre António Dias. Nessa altura a professora
Lúcia apresentou-me no fim do espectáculo ao “fantocheiro” António Dias, que
pela minha memória, achou-me piada mas não me deixou entrar na barraca dele.
Apesar de ter estado a falar comigo durante algum tempo, só me lembro de ele me
dizer para eu ver o espectáculo com muita atenção (coisa que sempre fiz) até
lhe disse que já sabia como é que ele fazia “aquilo” do touro e os forcados ao
mesmo tempo (ele riu) a minha memória deste episódio fica por aqui.
Um ano depois (1983) aquando do 7º Encontro Nacional de Teatro de Fantoches em Alcobaça, organizado pela professora Lúcia Serralheiro e pelo grupo Pequenos Comediantes de Trapos e Farrapos, o António Dias também veio fazer o seu espectáculo ao encontro de fantoches na escola secundária nº1 (agora escola Inês de Castro).
Depois de acabar o espectáculo ele estava a descansar perto da porta do pavilhão que servia de sala de espectáculos e a professora Lúcia Serralheiro chamou-me e foi comigo ter com o mestre António Dias, onde mais uma vez me apresentou como um rapaz com muito jeito para os bonecos e o convenceu a mostrar-me a palheta e a ensinar-me a usa-la. (na altura pelo que a professora Lúcia diz, o Dias estava proibido de ensinar a “palheta” às crianças pelo FAOJ, não sei se é verdade ou não). Mas lembrou-me perfeitamente de ficar de boca aberta quando ele colocou a palheta na boca e fez o som dos robertos. Depois disse-me que era difícil e que eram preciso muito treino. Depois para meu espanto e da professora Lúcia, ele tirou a palheta da boca e deu-ma, agradeci, e coloquei-a logo na boca para tentar fazer a mesma coisa, mas não consegui. Ainda me lembro da cara da professora Lúcia que ficou enojada por eu ter colocado logo a palheta na boca. A partir daí nunca mais parei de tentar falar com a palheta e um ano depois encontrei o António Dias na Nazaré ou nas Caldas da Rainha, já não sei bem, com o Esteves, onde fui lhe mostrar que já era capaz de falar com a palheta, lembro-me do Esteves ter ficou chateado, por eu saber falar com a palheta, mas não me lembro de muita coisa desse encontro.
Em 1986 o dias faleceu na semana entre 6 e 12 de Setembro de 1986, mas não sei precisar a data (o João Paulo é capaz de saber pois ele é mais velho), depois continuei sempre a trabalhar com marionetas, mas nunca fiz o teatro Dom Roberto,(fiquei com um respeito tão grande pelo mestre António Dias e o Dom Roberto que achava que não estava há altura para o executar). Os anos foram passando e fui falando sempre com a “Palheta”, mas sem “montar” o espectáculo.
Assisti várias vezes ao Dom Roberto do João Paulo e mais tarde ao do Raúl Constante Pereira, aliás a primeira vez que vi o Raúl foi no Porto, não consigo precisar no tempo, mas tenho a memória de estarmos todos juntos numa esplanada e começarmos a falar com a palheta com os empregados do café, provavelmente num festival qualquer.
Depois de muita insistência por parte dos meus colegas de trabalho e de vários amigos, construi os bonecos do “barbeiro” e da ”tourada” com a ajuda da minha mãe que me fez os fatos.
Comecei a fazer o teatro Dom Roberto em 1998. Estreei em Alcobaça com as peças “O Barbeiro” e “A Tourada”, que fiz de memória e de algumas notas que tinha tirado para não me esquecer. Um ano mais tarde recuperei “Castelo dos Fantasmas”. Ao ver o filme Dom Roberto reparei que no início do filme, por trás do genérico aparece o espectáculo do Castelo dos Fantasmas.
Também tive a oportunidade de falar com o Raúl Solnado pensando que ele podia ter mais alguma informação sobre o Dias, mas quase não teve contacto com ele durante as filmagens do filme Dom Roberto. Nesse mesmo dia fiz o “Barbeiro” e a “Tourada” para o Raúl Solnado na Oficina dos S.A.Marionetas. Devo dizer que foi um momento único para mim, no final o Raúl Solnado diz-me: ”Ainda bem que há sempre algum carolas que não deixa morrer estas coisas”, neste caso já somos cinco carolas.
“Rosa e os três Namorados” recuperei a partir do texto do Azinhal Abelho. Destas duas últimas peças, lembro-me de a professora Lúcia dizer que o António Dias dizia que fazia com outra pessoa dentro da barraca, para ter mais fantoches ao mesmo tempo.
Também na entrevista a Cesário Cruz Nunes feita pelos alunos da professora Lúcia ele diz que chegou a trabalhar com o Dias, confirmando então o que o Dias dizia sobre um tal de rapaz alto que o chegou a ajudar nos espectáculos (também informação da professora Lúcia).
Ainda sobre o mesmo assunto, na praia de São Pedro de Moel, o concessionário das barracas e do bar da praia era amigo do António Dias. Hoje, a filha recorda que por vezes o Dias aparecia com outro amigo e faziam os dois ao mesmo tempo dentro de uma barraca maior o espectáculo, sempre acompanhado pelo fotografo do cavalinho!?!. (esta informação foi recolhida de várias entrevistas que eu e a Sofia Vinagre fizemos, com o intuito de procurar mais informação sobre o teatro Dom Roberto).
Entretanto já consegui juntar por duas vezes em Alcobaça no festival marionetas na Cidade, as pessoas que fazem o teatro Dom Roberto: João Paulo Seara Cardoso do Porto, Raúl Constante Pereira do Porto, Manuel Dias de Évora, José Gil de Alcobaça(Eu) e o Jorge Soares de Lagoa.
Espero que tenha sido bastante explícito neste meu relato sobre a minha experiência com o Mestre Dias e o Dom Roberto.
Fica ainda aqui o link para a entrevista a Cesário Cruz Nunes outro homem que fazia o teatro Dom Roberto http://www.samarionetas.com/robertos_entrevista_cesario_s.a.marionetas.htm
Abraços!!
José Gil
Um ano depois (1983) aquando do 7º Encontro Nacional de Teatro de Fantoches em Alcobaça, organizado pela professora Lúcia Serralheiro e pelo grupo Pequenos Comediantes de Trapos e Farrapos, o António Dias também veio fazer o seu espectáculo ao encontro de fantoches na escola secundária nº1 (agora escola Inês de Castro).
Depois de acabar o espectáculo ele estava a descansar perto da porta do pavilhão que servia de sala de espectáculos e a professora Lúcia Serralheiro chamou-me e foi comigo ter com o mestre António Dias, onde mais uma vez me apresentou como um rapaz com muito jeito para os bonecos e o convenceu a mostrar-me a palheta e a ensinar-me a usa-la. (na altura pelo que a professora Lúcia diz, o Dias estava proibido de ensinar a “palheta” às crianças pelo FAOJ, não sei se é verdade ou não). Mas lembrou-me perfeitamente de ficar de boca aberta quando ele colocou a palheta na boca e fez o som dos robertos. Depois disse-me que era difícil e que eram preciso muito treino. Depois para meu espanto e da professora Lúcia, ele tirou a palheta da boca e deu-ma, agradeci, e coloquei-a logo na boca para tentar fazer a mesma coisa, mas não consegui. Ainda me lembro da cara da professora Lúcia que ficou enojada por eu ter colocado logo a palheta na boca. A partir daí nunca mais parei de tentar falar com a palheta e um ano depois encontrei o António Dias na Nazaré ou nas Caldas da Rainha, já não sei bem, com o Esteves, onde fui lhe mostrar que já era capaz de falar com a palheta, lembro-me do Esteves ter ficou chateado, por eu saber falar com a palheta, mas não me lembro de muita coisa desse encontro.
Em 1986 o dias faleceu na semana entre 6 e 12 de Setembro de 1986, mas não sei precisar a data (o João Paulo é capaz de saber pois ele é mais velho), depois continuei sempre a trabalhar com marionetas, mas nunca fiz o teatro Dom Roberto,(fiquei com um respeito tão grande pelo mestre António Dias e o Dom Roberto que achava que não estava há altura para o executar). Os anos foram passando e fui falando sempre com a “Palheta”, mas sem “montar” o espectáculo.
Assisti várias vezes ao Dom Roberto do João Paulo e mais tarde ao do Raúl Constante Pereira, aliás a primeira vez que vi o Raúl foi no Porto, não consigo precisar no tempo, mas tenho a memória de estarmos todos juntos numa esplanada e começarmos a falar com a palheta com os empregados do café, provavelmente num festival qualquer.
Depois de muita insistência por parte dos meus colegas de trabalho e de vários amigos, construi os bonecos do “barbeiro” e da ”tourada” com a ajuda da minha mãe que me fez os fatos.
Comecei a fazer o teatro Dom Roberto em 1998. Estreei em Alcobaça com as peças “O Barbeiro” e “A Tourada”, que fiz de memória e de algumas notas que tinha tirado para não me esquecer. Um ano mais tarde recuperei “Castelo dos Fantasmas”. Ao ver o filme Dom Roberto reparei que no início do filme, por trás do genérico aparece o espectáculo do Castelo dos Fantasmas.
Também tive a oportunidade de falar com o Raúl Solnado pensando que ele podia ter mais alguma informação sobre o Dias, mas quase não teve contacto com ele durante as filmagens do filme Dom Roberto. Nesse mesmo dia fiz o “Barbeiro” e a “Tourada” para o Raúl Solnado na Oficina dos S.A.Marionetas. Devo dizer que foi um momento único para mim, no final o Raúl Solnado diz-me: ”Ainda bem que há sempre algum carolas que não deixa morrer estas coisas”, neste caso já somos cinco carolas.
“Rosa e os três Namorados” recuperei a partir do texto do Azinhal Abelho. Destas duas últimas peças, lembro-me de a professora Lúcia dizer que o António Dias dizia que fazia com outra pessoa dentro da barraca, para ter mais fantoches ao mesmo tempo.
Também na entrevista a Cesário Cruz Nunes feita pelos alunos da professora Lúcia ele diz que chegou a trabalhar com o Dias, confirmando então o que o Dias dizia sobre um tal de rapaz alto que o chegou a ajudar nos espectáculos (também informação da professora Lúcia).
Ainda sobre o mesmo assunto, na praia de São Pedro de Moel, o concessionário das barracas e do bar da praia era amigo do António Dias. Hoje, a filha recorda que por vezes o Dias aparecia com outro amigo e faziam os dois ao mesmo tempo dentro de uma barraca maior o espectáculo, sempre acompanhado pelo fotografo do cavalinho!?!. (esta informação foi recolhida de várias entrevistas que eu e a Sofia Vinagre fizemos, com o intuito de procurar mais informação sobre o teatro Dom Roberto).
Entretanto já consegui juntar por duas vezes em Alcobaça no festival marionetas na Cidade, as pessoas que fazem o teatro Dom Roberto: João Paulo Seara Cardoso do Porto, Raúl Constante Pereira do Porto, Manuel Dias de Évora, José Gil de Alcobaça(Eu) e o Jorge Soares de Lagoa.
Espero que tenha sido bastante explícito neste meu relato sobre a minha experiência com o Mestre Dias e o Dom Roberto.
Fica ainda aqui o link para a entrevista a Cesário Cruz Nunes outro homem que fazia o teatro Dom Roberto http://www.samarionetas.com/robertos_entrevista_cesario_s.a.marionetas.htm
Abraços!!
José Gil
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
a palheta
O segredo mais bem guardado de qualquer bonecreiro, só se transmite a quem demonstra ter o respeito pela arte, um legado de mestre para aprendiz.
é com este "instrumento" que os robertos adquirem a sua voz, estridente e metálica, que para além de adulterar a tonalidade da voz do bonecreiro a amplifica.
Muitos do rrrr produzidos durante o espectáculo são reforçados e trabalhados no texto, nas expressões e nos nomes das personagens para tirar partido das capacidades deste objeto. Para quem já assistiu a um espectáculo será interessante associar o nome de robertos às capacidades sonoras da palheta.
Tive já a sorte de me terem oferecido duas palhetas.(Obrigada Rui e Gil)
Deixo-vos algumas imagens, quanto ao segredo para a sua utilização, cada bonecreiro deve agir conforme as suas convições.
Estas belíssimas imagens da autoria de Alice Bernardo, que para quem não conhece desenvolve um projeto fabuloso chamado Saber Fazer .
é com este "instrumento" que os robertos adquirem a sua voz, estridente e metálica, que para além de adulterar a tonalidade da voz do bonecreiro a amplifica.
Muitos do rrrr produzidos durante o espectáculo são reforçados e trabalhados no texto, nas expressões e nos nomes das personagens para tirar partido das capacidades deste objeto. Para quem já assistiu a um espectáculo será interessante associar o nome de robertos às capacidades sonoras da palheta.
Tive já a sorte de me terem oferecido duas palhetas.(Obrigada Rui e Gil)
Deixo-vos algumas imagens, quanto ao segredo para a sua utilização, cada bonecreiro deve agir conforme as suas convições.
Estas belíssimas imagens da autoria de Alice Bernardo, que para quem não conhece desenvolve um projeto fabuloso chamado Saber Fazer .
terça-feira, 2 de outubro de 2012
A guarita
Aqui também Burattini carca de 1800 numa guarita mais elaborada e engalanada, o fantoche enverga um bastão enquanto contacena com um fantoche feminino, obsevado por crianças, homens e clérigos sorridentes, indiciando não só o caractér jocoso do espectáculo bem como a aceitação social generalizada desta representação.
Cópia de uma obra de Delarive (Portugal 1755 - 1918??), cerca de 1800, aqui observamos o modo mais simples de representação onde na soleira de uma porta separa os fantoches dos espectadores, que como se observa representam várias classes sociais e vários faixas etárias.
O bastão, uma figura que se assemelha ao diabo estão em clara acção lúdica e jocosa.
da colecção Costumes portugueses
Est nº4 1832 - 1833
É grande a beleza desta imagem, uma capa serve de guarita, observamos um jovem manipulando os fantoches bem como um instrumento musical, percebe-se a aceitação do público de distintas faixas etárias.
Guarita de António Dias
Percebe-se a tentativa de modernização, numa guarita de madeira pintada, onde claramente as infuências televisivas tentam apelar a um público infantil.
Guarita de Francisco Mota
utilização do quadro de xisto
Guarita de João Paulo Seara Cardoso com recurso à chita, com estampa tradicional.
A guarita de Manuel Dias (atrás) e de Nuno Pinto (à frente)
litrados e chitas são recorrentes nas guaritas, mais uma vez o quadro de xisto onde se marcam as horas de representação.
Guarita de Raul Constante Pereira (em primeiro plano) de José Gil (em segundo plano), de Jorge Soraes ( em terceiro plano), mais uma vez os listrados e as chitas.
guarita de José Gil (a chita de Alcobaça)
guarita de Jorge Soares ( o listardo, fazendo lembrar as barracas de praia) com o quadro de xisto.
guarita de Rui Sousa ( a utilização da chita)
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