Testemunho de inestimável valor para a história do Teatro de Dom Roberto
Este testemunho vem na discussão sobre alguns conteúdos da Enciclopédia Internacional da Marioneta.
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Em 1981, num Encontro Nacional de Fantoches, vi pela primeira vez o
Teatro Dom Roberto de Mestre António Dias. Nós, a malta nova e entusiasta,
ficávamos fascinados e, no final das representações, lá íamos todos para junto
do bonecreiro tentando descobrir os mistérios indecifráveis dos Robertos. Mas o
Mestre guardava-os bem… E o Francisco Esteves, “guardião do templo”, sempre por
perto, refreava os nossos ímpetos o mais que podia dizendo que aquilo era coisa
“sagrada”. Bom, de volta a casa, os robertos ficaram-se-me colados no
pensamento. Eu era, por essa altura, um interessado e estudioso de formas de
teatro popular e o Teatro Dom Roberto configurava um extraordinário exemplo de
teatro “democrático”, nesses tempos ainda imbuídos de um certo espírito
pós-revolucionário. Senti que era necessário fazer alguma coisa para preservar
aquele tesouro da nossa cultura. E decidi fazer o Teatro Dom Roberto. O que é
certo é que, baseado nas notas que tinha tomado e, depois de muitas tentativas
e ensaios, lá consegui fazer A Tourada. Um ano depois, em 11 de Setembro de
1982, apresentei a peça no Encontro Nacional de Fantoches de Aveiro, integrado
num espectáculo do TAI –“ Trupe Maravilha”, perante o olhar incrédulo dos meus
amigos marionetistas e do grande António Dias. A representação até correu bem,
mas toda a gente deve ter sentido um certo desconforto e deve ter tido a
sensação de que alguma coisa tinha sido profanada. O Mestre Esteves criticou-me
com alguma rudeza. Eu estava super nervoso e receoso mas, quando cheguei à
porta do teatro, o Dias veio logo ter comigo. E eu pensei: “Estou feito!” Olhou
para mim com aquele olho que ainda via alguma coisa e disse-me discretamente:”
Você tem jeito”. Foi um alívio! O Mestre não me tinha dado uma paulada. Depois
fomos os dois beber um copo e ele confessou que, apesar da “malta nova”
insistir muito com ele, a sua arte não era coisa que se ensinasse assim sem
mais nem menos, como alguns pretendiam. No meio da conversa, eu disse-lhe
qualquer coisa deste género: “Ó Mestre, gostava muito que me ensinasse os
Robertos, mas penso que seria também muito importante fazer um registo e um
estudo do seu teatro. Lembre-se que você é o último bonecreiro profissional em
actividade e esta tradição tão bonita corre o risco de se perder”. Ele
concordou e adorou a ideia de vir até ao Porto para trabalharmos juntos. Como
estava destacado no FAOJ (era funcionário do Instituto de Tecnologia Educativa
– com ordenado mensal pela primeira vez na sua vida, graças ao Mestre Esteves )
e eu também aí trabalhava, combinamos tudo entre nós e eu apresentei uma
proposta interna. Em Janeiro de 1983, o Mestre Dias chegava ao Porto para uma
estadia de trabalho de 12 dias (que se viria a prolongar por mais 10), que
previa espectáculos nos Jardins do Porto, que tinham tradição de Robertos e nos
quais ele tinha actuado há muitos anos, encontros com grupos de teatro e
associações, actuações nas escolas e sessões de trabalho para registo das peças
e da sua longa vida de bonecreiro. Foi o grande momento de merecida consagração
da sua vida; os jornais e a televisão deram excelente cobertura e o Mestre foi
extraordinariamente acarinhado pelas pessoas que foi conhecendo. O maior
estudioso da história do Porto, Germano Silva, que o conhecera nos anos 40,
escreveu no Jornal de Notícias:”Com o seu capote surrado, com a cegueira
velando-lhe os olhos, continua ele, sem parança, cavalgando as asas do sonho,
por todo este país que ainda não pagou a quem mais deve”. Para mim e para ele
foram dos melhores tempos das nossas vidas. Trabalhávamos bastante, mas sobrava
sempre um pouco de tempo para irmos a uma tasquinha onde tagarelávamos
agarrados a um copo de vinho. Como eu gostava daquele homem… Era de uma
generosidade enorme! E lá fomos fazendo o registo das peças, em vídeo. Quando
chegou a altura de gravar “A Rosa e os Três Namorados”, que ele já não fazia há
muitos anos, ensinou-me pacientemente o meu papel de “moço-ajudante” e lá nos
metemos os dois dentro da barraca… foi uma boa sensação!
Recordo-me também que andamos à procura nas retrosarias antigas do Porto da
famosa fita de nastro em que deviam ser feitas as palhetas (“é aquela que tem
um gatinho…”). E encontramos. Fabriquei-lhe meia dúzia de palhetas segundo as
suas recomendações, porque ele já estava quase cego e não era capaz de o fazer.
Nos finais de Janeiro despedimo-nos na estação de Campanhã e o Mestre voltou
para Lisboa.
Ficamos ligados para sempre. Ele tinha um grande desgosto que o seu filho Zé
não quisesse aprender os Robertos e eu, provavelmente, fui um pouco a
compensação para a sua mágoa. Ainda veio algumas vezes ao Senhor de Matosinhos,
por iniciativa do Queiroga Santos, e era nesses ambientes que o Mestre se
sentia bem. Visitava-o em Lisboa frequentemente. Nunca me deixou ir a sua casa
(“é muito pobre, percebe…”). Encontrávamo-nos num tasco próximo e púnhamos as
conversas em dia. A sua saúde não andava nada boa desde que, há alguns anos
atrás, tivera um AVC que lhe afectara a visão e a fala. A mulher também estava
muito mal, por essa altura. E o filho andava metido em maus caminhos… Às vezes,
pedia-me dinheiro para medicamentos e para os estudos do filho.
Quando o Mestre faleceu, em Agosto de 1989, na sequência de um incêndio que ele
próprio tinha provocado na casa, devido à falta de visão, eu estava de férias,
incontactável. Não soube de nada. Quando cheguei a casa, tinha um telegrama com
a notícia da morte que tinha ocorrido há quinze dias. Claro que chorei,
porrrrra, eu gostava mesmo daquele homem. Chapou-se-me no pensamento a fachada
da sua pobre casa a arder e não pude deixar de recordar que o fogo também já
tinha levado para o céu os “diabos” de Santo Aleixo e o “diabólico” Judeu.
Aquele diabinho vermelho que ardia dentro da mala do Mestre estava a rir-se.
Ele também ia para o céu, para junto dos anjos. Benditos bonecos, bendito
homem.
De uma forma muito sucinta (e, desculpem, um pouco emocionada) – um dia gostaria
de escrever mais desenvolvidamente sobre esta e outras questões – é esta a
história do meu relacionamento com Mestre António Dias e a origem do meu amor e
dedicação aos robertos, que viria a mudar a minha vida – foi nesta altura que
decidi dedicar-me em exclusivo às marionetas.
Conclusão: as frases que constam na Encyclopedie, “… Mestre António Dias, que
transmitiu a sua experiência a João Paulo Seara Cardoso, que o acompanhou até
ao fim da sua carreira e recriou todo o seu reportório” e “… António Dias, que
com o seu Teatro Dom Roberto, constituiu uma fonte de inspiração para as jovens
gerações, transmitiu o seu reportório e o seu testemunho a João Paulo Seara
Cardoso”, estão CORRECTÍSSIMAS.
Não há, pois, nenhuma “inverdade” nem nenhuma “desonestidade intelectual” nas
afirmações! Existem, na verdade, mais três pessoas que fazem os robertos em
Portugal: o José Gil, o Raul Pereira e o Manuel Dias. Todos começaram a fazer
os seus espectáculos depois da morte de Mestre Dias. O Raul foi o primeiro.
Aprendeu comigo e confesso que me custou, foi como se me tirassem um filhinho
das mãos mas, pronto, eu sabia que teria que ser assim. Tenho um orgulho enorme
da nossa “confraria dos robertos” e senti-me imensamente feliz quando, pela
primeira vez, actuamos os quatro em frente ao Mosteiro de Alcobaça.
E pronto, amigo Gama, como vês, o teu excelente post trilingue também contém
erros “grosseiros”. Este que acabo de escrever também os poderá ter. Ninguém é
perfeito, isso seria uma chatice. Como disse o Beckett: “Try again. Fail again.
Fail better.”
Um abraço para todos."
João Paulo Seara Cardoso
domingo, 7 de outubro de 2012
Registo - José Gil
Deixo-vos aqui o testemunho de um dos bonecreiros e de como iniciou o seu trabalho com o Teatro Dom Roberto.
Eu
(José Gil) conheci o Mestre António Dias por volta de 1982, quando este veio
fazer uma apresentação do teatro Dom Roberto na minha escola, a convite da
professora Lúcia Serralheiro (fundadora do grupo Pequenos Comediantes de Trapos
e Farrapos em Alcobaça). Apesar de já ter visto várias vezes nas praias da
Nazaré e em São Pedro de Moel o espectáculo Dom Roberto, nunca tinha tido a
oportunidade de falar com o mestre António Dias. Nessa altura a professora
Lúcia apresentou-me no fim do espectáculo ao “fantocheiro” António Dias, que
pela minha memória, achou-me piada mas não me deixou entrar na barraca dele.
Apesar de ter estado a falar comigo durante algum tempo, só me lembro de ele me
dizer para eu ver o espectáculo com muita atenção (coisa que sempre fiz) até
lhe disse que já sabia como é que ele fazia “aquilo” do touro e os forcados ao
mesmo tempo (ele riu) a minha memória deste episódio fica por aqui.
Um ano depois (1983) aquando do 7º Encontro Nacional de Teatro de Fantoches em Alcobaça, organizado pela professora Lúcia Serralheiro e pelo grupo Pequenos Comediantes de Trapos e Farrapos, o António Dias também veio fazer o seu espectáculo ao encontro de fantoches na escola secundária nº1 (agora escola Inês de Castro).
Depois de acabar o espectáculo ele estava a descansar perto da porta do pavilhão que servia de sala de espectáculos e a professora Lúcia Serralheiro chamou-me e foi comigo ter com o mestre António Dias, onde mais uma vez me apresentou como um rapaz com muito jeito para os bonecos e o convenceu a mostrar-me a palheta e a ensinar-me a usa-la. (na altura pelo que a professora Lúcia diz, o Dias estava proibido de ensinar a “palheta” às crianças pelo FAOJ, não sei se é verdade ou não). Mas lembrou-me perfeitamente de ficar de boca aberta quando ele colocou a palheta na boca e fez o som dos robertos. Depois disse-me que era difícil e que eram preciso muito treino. Depois para meu espanto e da professora Lúcia, ele tirou a palheta da boca e deu-ma, agradeci, e coloquei-a logo na boca para tentar fazer a mesma coisa, mas não consegui. Ainda me lembro da cara da professora Lúcia que ficou enojada por eu ter colocado logo a palheta na boca. A partir daí nunca mais parei de tentar falar com a palheta e um ano depois encontrei o António Dias na Nazaré ou nas Caldas da Rainha, já não sei bem, com o Esteves, onde fui lhe mostrar que já era capaz de falar com a palheta, lembro-me do Esteves ter ficou chateado, por eu saber falar com a palheta, mas não me lembro de muita coisa desse encontro.
Em 1986 o dias faleceu na semana entre 6 e 12 de Setembro de 1986, mas não sei precisar a data (o João Paulo é capaz de saber pois ele é mais velho), depois continuei sempre a trabalhar com marionetas, mas nunca fiz o teatro Dom Roberto,(fiquei com um respeito tão grande pelo mestre António Dias e o Dom Roberto que achava que não estava há altura para o executar). Os anos foram passando e fui falando sempre com a “Palheta”, mas sem “montar” o espectáculo.
Assisti várias vezes ao Dom Roberto do João Paulo e mais tarde ao do Raúl Constante Pereira, aliás a primeira vez que vi o Raúl foi no Porto, não consigo precisar no tempo, mas tenho a memória de estarmos todos juntos numa esplanada e começarmos a falar com a palheta com os empregados do café, provavelmente num festival qualquer.
Depois de muita insistência por parte dos meus colegas de trabalho e de vários amigos, construi os bonecos do “barbeiro” e da ”tourada” com a ajuda da minha mãe que me fez os fatos.
Comecei a fazer o teatro Dom Roberto em 1998. Estreei em Alcobaça com as peças “O Barbeiro” e “A Tourada”, que fiz de memória e de algumas notas que tinha tirado para não me esquecer. Um ano mais tarde recuperei “Castelo dos Fantasmas”. Ao ver o filme Dom Roberto reparei que no início do filme, por trás do genérico aparece o espectáculo do Castelo dos Fantasmas.
Também tive a oportunidade de falar com o Raúl Solnado pensando que ele podia ter mais alguma informação sobre o Dias, mas quase não teve contacto com ele durante as filmagens do filme Dom Roberto. Nesse mesmo dia fiz o “Barbeiro” e a “Tourada” para o Raúl Solnado na Oficina dos S.A.Marionetas. Devo dizer que foi um momento único para mim, no final o Raúl Solnado diz-me: ”Ainda bem que há sempre algum carolas que não deixa morrer estas coisas”, neste caso já somos cinco carolas.
“Rosa e os três Namorados” recuperei a partir do texto do Azinhal Abelho. Destas duas últimas peças, lembro-me de a professora Lúcia dizer que o António Dias dizia que fazia com outra pessoa dentro da barraca, para ter mais fantoches ao mesmo tempo.
Também na entrevista a Cesário Cruz Nunes feita pelos alunos da professora Lúcia ele diz que chegou a trabalhar com o Dias, confirmando então o que o Dias dizia sobre um tal de rapaz alto que o chegou a ajudar nos espectáculos (também informação da professora Lúcia).
Ainda sobre o mesmo assunto, na praia de São Pedro de Moel, o concessionário das barracas e do bar da praia era amigo do António Dias. Hoje, a filha recorda que por vezes o Dias aparecia com outro amigo e faziam os dois ao mesmo tempo dentro de uma barraca maior o espectáculo, sempre acompanhado pelo fotografo do cavalinho!?!. (esta informação foi recolhida de várias entrevistas que eu e a Sofia Vinagre fizemos, com o intuito de procurar mais informação sobre o teatro Dom Roberto).
Entretanto já consegui juntar por duas vezes em Alcobaça no festival marionetas na Cidade, as pessoas que fazem o teatro Dom Roberto: João Paulo Seara Cardoso do Porto, Raúl Constante Pereira do Porto, Manuel Dias de Évora, José Gil de Alcobaça(Eu) e o Jorge Soares de Lagoa.
Espero que tenha sido bastante explícito neste meu relato sobre a minha experiência com o Mestre Dias e o Dom Roberto.
Fica ainda aqui o link para a entrevista a Cesário Cruz Nunes outro homem que fazia o teatro Dom Roberto http://www.samarionetas.com/robertos_entrevista_cesario_s.a.marionetas.htm
Abraços!!
José Gil
Um ano depois (1983) aquando do 7º Encontro Nacional de Teatro de Fantoches em Alcobaça, organizado pela professora Lúcia Serralheiro e pelo grupo Pequenos Comediantes de Trapos e Farrapos, o António Dias também veio fazer o seu espectáculo ao encontro de fantoches na escola secundária nº1 (agora escola Inês de Castro).
Depois de acabar o espectáculo ele estava a descansar perto da porta do pavilhão que servia de sala de espectáculos e a professora Lúcia Serralheiro chamou-me e foi comigo ter com o mestre António Dias, onde mais uma vez me apresentou como um rapaz com muito jeito para os bonecos e o convenceu a mostrar-me a palheta e a ensinar-me a usa-la. (na altura pelo que a professora Lúcia diz, o Dias estava proibido de ensinar a “palheta” às crianças pelo FAOJ, não sei se é verdade ou não). Mas lembrou-me perfeitamente de ficar de boca aberta quando ele colocou a palheta na boca e fez o som dos robertos. Depois disse-me que era difícil e que eram preciso muito treino. Depois para meu espanto e da professora Lúcia, ele tirou a palheta da boca e deu-ma, agradeci, e coloquei-a logo na boca para tentar fazer a mesma coisa, mas não consegui. Ainda me lembro da cara da professora Lúcia que ficou enojada por eu ter colocado logo a palheta na boca. A partir daí nunca mais parei de tentar falar com a palheta e um ano depois encontrei o António Dias na Nazaré ou nas Caldas da Rainha, já não sei bem, com o Esteves, onde fui lhe mostrar que já era capaz de falar com a palheta, lembro-me do Esteves ter ficou chateado, por eu saber falar com a palheta, mas não me lembro de muita coisa desse encontro.
Em 1986 o dias faleceu na semana entre 6 e 12 de Setembro de 1986, mas não sei precisar a data (o João Paulo é capaz de saber pois ele é mais velho), depois continuei sempre a trabalhar com marionetas, mas nunca fiz o teatro Dom Roberto,(fiquei com um respeito tão grande pelo mestre António Dias e o Dom Roberto que achava que não estava há altura para o executar). Os anos foram passando e fui falando sempre com a “Palheta”, mas sem “montar” o espectáculo.
Assisti várias vezes ao Dom Roberto do João Paulo e mais tarde ao do Raúl Constante Pereira, aliás a primeira vez que vi o Raúl foi no Porto, não consigo precisar no tempo, mas tenho a memória de estarmos todos juntos numa esplanada e começarmos a falar com a palheta com os empregados do café, provavelmente num festival qualquer.
Depois de muita insistência por parte dos meus colegas de trabalho e de vários amigos, construi os bonecos do “barbeiro” e da ”tourada” com a ajuda da minha mãe que me fez os fatos.
Comecei a fazer o teatro Dom Roberto em 1998. Estreei em Alcobaça com as peças “O Barbeiro” e “A Tourada”, que fiz de memória e de algumas notas que tinha tirado para não me esquecer. Um ano mais tarde recuperei “Castelo dos Fantasmas”. Ao ver o filme Dom Roberto reparei que no início do filme, por trás do genérico aparece o espectáculo do Castelo dos Fantasmas.
Também tive a oportunidade de falar com o Raúl Solnado pensando que ele podia ter mais alguma informação sobre o Dias, mas quase não teve contacto com ele durante as filmagens do filme Dom Roberto. Nesse mesmo dia fiz o “Barbeiro” e a “Tourada” para o Raúl Solnado na Oficina dos S.A.Marionetas. Devo dizer que foi um momento único para mim, no final o Raúl Solnado diz-me: ”Ainda bem que há sempre algum carolas que não deixa morrer estas coisas”, neste caso já somos cinco carolas.
“Rosa e os três Namorados” recuperei a partir do texto do Azinhal Abelho. Destas duas últimas peças, lembro-me de a professora Lúcia dizer que o António Dias dizia que fazia com outra pessoa dentro da barraca, para ter mais fantoches ao mesmo tempo.
Também na entrevista a Cesário Cruz Nunes feita pelos alunos da professora Lúcia ele diz que chegou a trabalhar com o Dias, confirmando então o que o Dias dizia sobre um tal de rapaz alto que o chegou a ajudar nos espectáculos (também informação da professora Lúcia).
Ainda sobre o mesmo assunto, na praia de São Pedro de Moel, o concessionário das barracas e do bar da praia era amigo do António Dias. Hoje, a filha recorda que por vezes o Dias aparecia com outro amigo e faziam os dois ao mesmo tempo dentro de uma barraca maior o espectáculo, sempre acompanhado pelo fotografo do cavalinho!?!. (esta informação foi recolhida de várias entrevistas que eu e a Sofia Vinagre fizemos, com o intuito de procurar mais informação sobre o teatro Dom Roberto).
Entretanto já consegui juntar por duas vezes em Alcobaça no festival marionetas na Cidade, as pessoas que fazem o teatro Dom Roberto: João Paulo Seara Cardoso do Porto, Raúl Constante Pereira do Porto, Manuel Dias de Évora, José Gil de Alcobaça(Eu) e o Jorge Soares de Lagoa.
Espero que tenha sido bastante explícito neste meu relato sobre a minha experiência com o Mestre Dias e o Dom Roberto.
Fica ainda aqui o link para a entrevista a Cesário Cruz Nunes outro homem que fazia o teatro Dom Roberto http://www.samarionetas.com/robertos_entrevista_cesario_s.a.marionetas.htm
Abraços!!
José Gil
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
a palheta
O segredo mais bem guardado de qualquer bonecreiro, só se transmite a quem demonstra ter o respeito pela arte, um legado de mestre para aprendiz.
é com este "instrumento" que os robertos adquirem a sua voz, estridente e metálica, que para além de adulterar a tonalidade da voz do bonecreiro a amplifica.
Muitos do rrrr produzidos durante o espectáculo são reforçados e trabalhados no texto, nas expressões e nos nomes das personagens para tirar partido das capacidades deste objeto. Para quem já assistiu a um espectáculo será interessante associar o nome de robertos às capacidades sonoras da palheta.
Tive já a sorte de me terem oferecido duas palhetas.(Obrigada Rui e Gil)
Deixo-vos algumas imagens, quanto ao segredo para a sua utilização, cada bonecreiro deve agir conforme as suas convições.
Estas belíssimas imagens da autoria de Alice Bernardo, que para quem não conhece desenvolve um projeto fabuloso chamado Saber Fazer .
é com este "instrumento" que os robertos adquirem a sua voz, estridente e metálica, que para além de adulterar a tonalidade da voz do bonecreiro a amplifica.
Muitos do rrrr produzidos durante o espectáculo são reforçados e trabalhados no texto, nas expressões e nos nomes das personagens para tirar partido das capacidades deste objeto. Para quem já assistiu a um espectáculo será interessante associar o nome de robertos às capacidades sonoras da palheta.
Tive já a sorte de me terem oferecido duas palhetas.(Obrigada Rui e Gil)
Deixo-vos algumas imagens, quanto ao segredo para a sua utilização, cada bonecreiro deve agir conforme as suas convições.
Estas belíssimas imagens da autoria de Alice Bernardo, que para quem não conhece desenvolve um projeto fabuloso chamado Saber Fazer .
terça-feira, 2 de outubro de 2012
A guarita
Aqui também Burattini carca de 1800 numa guarita mais elaborada e engalanada, o fantoche enverga um bastão enquanto contacena com um fantoche feminino, obsevado por crianças, homens e clérigos sorridentes, indiciando não só o caractér jocoso do espectáculo bem como a aceitação social generalizada desta representação.
Cópia de uma obra de Delarive (Portugal 1755 - 1918??), cerca de 1800, aqui observamos o modo mais simples de representação onde na soleira de uma porta separa os fantoches dos espectadores, que como se observa representam várias classes sociais e vários faixas etárias.
O bastão, uma figura que se assemelha ao diabo estão em clara acção lúdica e jocosa.
da colecção Costumes portugueses
Est nº4 1832 - 1833
É grande a beleza desta imagem, uma capa serve de guarita, observamos um jovem manipulando os fantoches bem como um instrumento musical, percebe-se a aceitação do público de distintas faixas etárias.
Guarita de António Dias
Percebe-se a tentativa de modernização, numa guarita de madeira pintada, onde claramente as infuências televisivas tentam apelar a um público infantil.
Guarita de Francisco Mota
utilização do quadro de xisto
Guarita de João Paulo Seara Cardoso com recurso à chita, com estampa tradicional.
A guarita de Manuel Dias (atrás) e de Nuno Pinto (à frente)
litrados e chitas são recorrentes nas guaritas, mais uma vez o quadro de xisto onde se marcam as horas de representação.
Guarita de Raul Constante Pereira (em primeiro plano) de José Gil (em segundo plano), de Jorge Soraes ( em terceiro plano), mais uma vez os listrados e as chitas.
guarita de José Gil (a chita de Alcobaça)
guarita de Jorge Soares ( o listardo, fazendo lembrar as barracas de praia) com o quadro de xisto.
guarita de Rui Sousa ( a utilização da chita)
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Robertos, uma breve nota!
O que são os Robertos
Os robertos são fantoches, ou marionetas de luva manipulados por um marionetista numa guarita, onde o marionetista se encontra oculto, utilizando a palheta como apoio no discurso da marioneta.
Qual a origem
Não está documentado o aparecimento do Teatro Dom roberto, no entanto é possível que o Roberto seja uma reinvenção do personagem Italiano Pulcinella, que terá estado na génese das principais figuras do teatro de fantoches tradicional Europeu.
Qual a sua importância
Os robertos são de fato um pequeno palco onde se representam diversas cenas da vida quatidiana de um modo jocoso e satírico, o reportório está agora limitado a quatro histórias," o barbeiro diabólico", "a tourada à portuguesa", "o castelo dos fantasmas" e a "rosa e os seus namorados". O teatro Dom Roberto teve uma grande presença na vida cultural popular na representação de rua, onde a sua presença é fortemente sentida nas praças e praias portuguesas.
Qual a família dos robertos ao nível internacional
Portugal - Dom Roberto
Alemanha - Kasperl
Itália - Pulcinella
Reino Unido - Mr. Punch
Hungria - Vitez Lázló
França - Guignol
Espanha - Dom Cristóbal
Russia - Petroushka
Existem diversos bonecos que integram a familias dos fantoches tradicionais:
O que os aproxima
A carcterística de serem fantoches, a utilização em vários da palheta, a guarita de representação e acima de tudo a carcterística satírica do seu teatro nas representações de rua.
Elaborado por Filipa Mesquita
Os robertos são fantoches, ou marionetas de luva manipulados por um marionetista numa guarita, onde o marionetista se encontra oculto, utilizando a palheta como apoio no discurso da marioneta.
Qual a origem
Não está documentado o aparecimento do Teatro Dom roberto, no entanto é possível que o Roberto seja uma reinvenção do personagem Italiano Pulcinella, que terá estado na génese das principais figuras do teatro de fantoches tradicional Europeu.
Qual a sua importância
Os robertos são de fato um pequeno palco onde se representam diversas cenas da vida quatidiana de um modo jocoso e satírico, o reportório está agora limitado a quatro histórias," o barbeiro diabólico", "a tourada à portuguesa", "o castelo dos fantasmas" e a "rosa e os seus namorados". O teatro Dom Roberto teve uma grande presença na vida cultural popular na representação de rua, onde a sua presença é fortemente sentida nas praças e praias portuguesas.
Qual a família dos robertos ao nível internacional
Portugal - Dom Roberto
Alemanha - Kasperl
Itália - Pulcinella
Reino Unido - Mr. Punch
Hungria - Vitez Lázló
França - Guignol
Espanha - Dom Cristóbal
Russia - Petroushka
Existem diversos bonecos que integram a familias dos fantoches tradicionais:
O que os aproxima
A carcterística de serem fantoches, a utilização em vários da palheta, a guarita de representação e acima de tudo a carcterística satírica do seu teatro nas representações de rua.
Elaborado por Filipa Mesquita
sábado, 29 de setembro de 2012
Dom Roberto - o personagem...
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Museu da Marioneta
Foi em 2011 que decorreu em Lisboa a Maratona de Robertos...
Aqui deixo algumas notas informaticas e algumas imagens cedidas pela minha amiga Marta Fernandes da Silva.
http://www.museudamarioneta.pt/gca/?id=95&pais=0&prod=4465
Aqui deixo algumas notas informaticas e algumas imagens cedidas pela minha amiga Marta Fernandes da Silva.
http://www.museudamarioneta.pt/gca/?id=95&pais=0&prod=4465
bonecreiro Jorge Soares
bonecreiro Rui Sousa
bonecreiro Francisco Mota
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