terça-feira, 2 de outubro de 2012

A guarita


As guaritas, estruturas cénicas do Teatro Dom Roberto, têm características similares às suas congéneres europeias, existe uma simplicidade e estilização da forma mais acentuada na guarita de Dom Roberto.

Observa-se nas imagens dos Burattini, um dispositivo complexo que depois evolui, no nosso caso para a sua simplificação.

Encontro algumas teorias que o poderiam explicar, pois por exemplo o Punch Inglês torna-se mais rico e mais complexo, enquanto o Dom Roberto é um parente pobre que na forma como na figura.


Burattini - 1770 - repare-se na figura, presume-se que estejam dois bonecreiros em acção e um musico que toca violino enquanto um outro instrumento se encontra no chão, reparem que existe uma bolsa/ abertura? e uma abertura de fato, por onde o fantoche espreita enquanto outro o observa com o pau.

Aqui também Burattini carca de 1800 numa guarita mais elaborada e engalanada, o fantoche enverga um bastão enquanto contacena com um fantoche feminino, obsevado por crianças, homens e clérigos sorridentes, indiciando não só o caractér jocoso do espectáculo bem como a aceitação social generalizada desta representação.

Cópia de uma obra de Delarive (Portugal 1755 - 1918??), cerca de 1800, aqui observamos o modo mais simples de representação onde na soleira de uma porta separa os fantoches dos espectadores, que como se observa representam várias classes sociais e vários faixas etárias.
O bastão, uma figura que se assemelha ao diabo estão em clara acção lúdica e jocosa.
 

da colecção Costumes portugueses
Est nº4 1832 - 1833
 É grande a beleza desta imagem, uma capa serve de guarita, observamos um jovem manipulando os fantoches bem como um instrumento musical, percebe-se a aceitação do público de distintas faixas etárias.

Guarita de António Dias
Percebe-se a tentativa de modernização, numa guarita de madeira pintada, onde claramente as infuências televisivas tentam apelar a um público infantil.

Guarita de Francisco Mota
utilização do quadro de xisto

Guarita de João Paulo Seara Cardoso com recurso à chita, com estampa tradicional.

A guarita de Manuel Dias (atrás) e de Nuno Pinto (à frente)
litrados e chitas são recorrentes nas guaritas, mais uma vez o quadro de xisto onde se marcam as horas de representação.
 

Guarita de Raul Constante Pereira (em primeiro plano) de José Gil (em segundo plano), de Jorge Soraes ( em terceiro plano), mais uma vez os listrados e as chitas.

guarita de José Gil (a chita de Alcobaça)

guarita de Jorge Soares ( o listardo, fazendo lembrar as barracas de praia) com o quadro de xisto.

guarita de Rui Sousa ( a utilização da chita)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Robertos, uma breve nota!

O que são os Robertos
Os robertos são fantoches, ou marionetas de luva manipulados por um marionetista numa guarita, onde o marionetista se encontra oculto, utilizando a palheta como apoio no discurso da marioneta.

Qual a origem
Não está documentado o aparecimento do Teatro Dom roberto, no entanto é possível que o Roberto seja uma reinvenção do personagem Italiano Pulcinella, que terá estado na génese das principais figuras do teatro de fantoches tradicional Europeu.


Qual a sua importância
Os robertos são de fato um pequeno palco onde se representam diversas cenas da vida quatidiana de um modo jocoso e satírico, o reportório está agora limitado a quatro histórias," o barbeiro diabólico", "a tourada à portuguesa", "o castelo dos fantasmas" e a "rosa e os seus namorados". O teatro Dom Roberto teve uma grande presença na vida cultural popular na representação de rua, onde a sua presença é fortemente sentida nas praças e praias portuguesas.


Qual a família dos robertos ao nível internacional
Portugal - Dom Roberto
Alemanha - Kasperl
Itália - Pulcinella
Reino Unido - Mr. Punch
Hungria - Vitez Lázló
França - Guignol
Espanha - Dom Cristóbal
Russia - Petroushka

Existem diversos bonecos que integram a familias dos fantoches tradicionais:
O que os aproxima
A carcterística de serem fantoches, a utilização em vários da palheta, a guarita de representação e acima de tudo a carcterística satírica do seu teatro nas representações de rua.


 Elaborado por Filipa Mesquita

sábado, 29 de setembro de 2012

Dom Roberto - o personagem...

Manuel Dias - Trulé - Évora

Rui Sousa - Marionetas da Feira - Santa Maria da Feira

Raúl Constante Pereira - Limite Zero - Porto

Francisco Mota - Porto

Nuno Pinto - Chão de Oliva - Sintra

Jorge Soares - Algarve
João Costa - lisboa
José Gil - S.A. Marionetas - Alcobaça

marionetas de João Paulo Seara Cardoso - Marionetas do Porto

Sara Henriques - Marionetas do Porto


António Dias
 
Cesário Nunes
Marioneta de Cesário Nunes - espólio da S.A. marionetas

Domingos Basto Moura

Manuel Rosado

Faustino Duarte
 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Museu da Marioneta

Foi em 2011 que decorreu em Lisboa a Maratona de Robertos...

Aqui deixo algumas notas informaticas e algumas imagens cedidas pela minha amiga Marta Fernandes da Silva.

http://www.museudamarioneta.pt/gca/?id=95&pais=0&prod=4465


 
 
 
bonecreiro Jorge Soares

bonecreiro Rui Sousa

bonecreiro Francisco Mota

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Como saber mais!

De facto reside aqui a grande dificuldade, como saber mais sobre o Teatro de Marionetas em Portugal e a sua história.

Difícil, muito difícil, então se falarmos em conhecer a história do Teatro Dom roberto é preciso uma grande dose de paciência.

Falarei aqui de alguns livros.... se os podem encontrar não sei, vão sendo achados e autênticos achados, em Teatro de Marionetas os que encontro nas livrarias e bibliotecas. Caso os veja à vendo informarei!


 
"teatro, bonifrates e de sombras" de Maria Palmira Moreira da Silva
Editora Civilização
 
Este é um pequeno livro que apesar de não aprofundar, dá a conhecer diversas figuras do teatro Dom Roberto em Portugal, como Domingos Bastos Moura, Manuel Rosado...entre outras figuras do teatro de marionetas. é um livro interessante que propõe uma origem para o Teatro Dom Roberto bem como define um significado para os objectos e figuras que o integram...
 
 


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

bonecreiros

da esq,. para a direita - Manuel Dias, João Costa, Jorge Soares, José Gil, Raúl Constante Pereira

Parece impossível mas não é, João Costa é um dos mais recentes bonecreiros tradicionais em portugal, e o único bonecreiro Lisboeta. Ao menos podemos celebrar o facto de mais de 20 anos depois Lisboa voltar a ter bonecreirO.

Podem conhcer melhor o seu trabalho em:
http://marionetasjoaocosta.wordpress.com/

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Manuel Rosado

Portugal - Puppets / Marionetas de Manuel Rosado Toureira

Manuel Rosado


Manuel Rosado foi um dos mais importantes bonecreiros populares. Desenvolveu a sua actividade por longos anos, com o seu “Pavilhão Mexicano”, teatro ambulante ainda em actividade no final dos anos 60 do século XX, representava repertório que era seu e, ao mesmo tempo, tradicional: o Marquês de Pombal e os Jesuítas, a Rosa e os 3 namorados, o Milagre de Santa Isabel ...
Rosado, que após êxitos em Lisboa e Espanha, trabalhando no Inverno como carpinteiro, pintor, mecânico, carvoeiro, fundidor, funileiro, etc, deixou o teatro de marionetas e passou a explorar uma barraca de tiro, também em feira, disse mais: “... os garotos perguntam-me pelos fantoches e funcionários das câmaras dizem-me que um pavilhão de marionetas sempre compõe uma feira! Irei voltar às feiras com um tipo de diversão totalmente novo e, entretanto, guardo os fantoches que me acompanham há 46 anos ... o aluguer das camionetas de carga, que é caro, as pessoas que se demoram hoje pouco tempo nas feiras, o ruído de milhentos altifalantes e a televisão, foi o que causou o afastamento do público rural. A televisão mostra como se manipulam as marionetas, pondo a descoberto segredos que nós nunca revelamos. Aos 16 anos fiz uma barraca de papel de jornal e construí uma palheta. A empresa era difícil pois os raros bonecreiros que dominavam tal técnica eram raros e guardavam religiosamente o segredo. Consegui, por mero acaso, e a minha alegria foi tão grande que decidi ser marionetista. A palheta coloca-se umas vezes debaixo da língua e outras para o fundo, junto às amígdalas, o que torna o trabalho perfeito, mas perigoso. Várias vezes engoli as palhetas, mas uma delas, feita de lata, ficou encravada na garganta e tive de ir de urgência para o hospital, onde fiquei internado 2 semanas. Graças à perseverança, vim um dia a ser considerado o melhor palheta português”.

fonte:
http://www.museudamarioneta.pt/gca/?id=130

http://www.flickr.com//photos/8724323@N06/sets/72157627243905535/show/with/6017768800/