De facto reside aqui a grande dificuldade, como saber mais sobre o Teatro de Marionetas em Portugal e a sua história.
Difícil, muito difícil, então se falarmos em conhecer a história do Teatro Dom roberto é preciso uma grande dose de paciência.
Falarei aqui de alguns livros.... se os podem encontrar não sei, vão sendo achados e autênticos achados, em Teatro de Marionetas os que encontro nas livrarias e bibliotecas. Caso os veja à vendo informarei!
"teatro, bonifrates e de sombras" de Maria Palmira Moreira da Silva
Editora Civilização
Este é um pequeno livro que apesar de não aprofundar, dá a conhecer diversas figuras do teatro Dom Roberto em Portugal, como Domingos Bastos Moura, Manuel Rosado...entre outras figuras do teatro de marionetas. é um livro interessante que propõe uma origem para o Teatro Dom Roberto bem como define um significado para os objectos e figuras que o integram...
da esq,. para a direita - Manuel Dias, João Costa, Jorge Soares, José Gil, Raúl Constante Pereira
Parece impossível mas não é, João Costa é um dos mais recentes bonecreiros tradicionais em portugal, e o único bonecreiro Lisboeta. Ao menos podemos celebrar o facto de mais de 20 anos depois Lisboa voltar a ter bonecreirO.
Manuel Rosado foi um dos mais importantes bonecreiros populares. Desenvolveu a sua actividade por longos anos, com o seu “Pavilhão Mexicano”, teatro ambulante ainda em actividade no final dos anos 60 do século XX, representava repertório que era seu e, ao mesmo tempo, tradicional: o Marquês de Pombal e os Jesuítas, a Rosa e os 3 namorados, o Milagre de Santa Isabel ...
Rosado, que após êxitos em Lisboa e Espanha, trabalhando no Inverno como carpinteiro, pintor, mecânico, carvoeiro, fundidor, funileiro, etc, deixou o teatro de marionetas e passou a explorar uma barraca de tiro, também em feira, disse mais: “... os garotos perguntam-me pelos fantoches e funcionários das câmaras dizem-me que um pavilhão de marionetas sempre compõe uma feira! Irei voltar às feiras com um tipo de diversão totalmente novo e, entretanto, guardo os fantoches que me acompanham há 46 anos ... o aluguer das camionetas de carga, que é caro, as pessoas que se demoram hoje pouco tempo nas feiras, o ruído de milhentos altifalantes e a televisão, foi o que causou o afastamento do público rural. A televisão mostra como se manipulam as marionetas, pondo a descoberto segredos que nós nunca revelamos. Aos 16 anos fiz uma barraca de papel de jornal e construí uma palheta. A empresa era difícil pois os raros bonecreiros que dominavam tal técnica eram raros e guardavam religiosamente o segredo. Consegui, por mero acaso, e a minha alegria foi tão grande que decidi ser marionetista. A palheta coloca-se umas vezes debaixo da língua e outras para o fundo, junto às amígdalas, o que torna o trabalho perfeito, mas perigoso. Várias vezes engoli as palhetas, mas uma delas, feita de lata, ficou encravada na garganta e tive de ir de urgência para o hospital, onde fiquei internado 2 semanas. Graças à perseverança, vim um dia a ser considerado o melhor palheta português”.
Não foi à muito tempo que o filme passou na RTP Memória, nunca tinha assistido ao filme mas de facto é um trabalho notável.
Talvez por saber quem era o homem que de facto estava por detrás das marionetas (António Dias), o real homem dos Robertos e ter ouvido falar da sua vida de bonecreiro, o filme transforma-se também num acto de afectos
Dom Roberto
Filme de longa-metragem 35 mm, P/B, 100 min.
Estreou em Lisboa, no Cinema Império, em 30 de Maio 1962.
Prémios da Jovem Crítica (”La Jeune Critique)” e de “L’ Association du Cinéma pour la Jeunesse” no Festival de Cannes 1963.
Ernesto de Sousa não recebeu os prémios pessoalmente porque foi detido pela PIDE à saída da fronteira de Portugal, quando se dirigia a Cannes. O motivo da prisão foi a a entrevista dada ao jornal Témoignage Chrétien.
Sinopse:
A vida miserável de João Barbelas, um vagabundo sonhador, a quem os miúdos alcunham "Dom Roberto", por exibir fantoches. Conhece Maria, rapariga com passado triste, julgando inocentemente ter arranjado habitação para ambos. O amor, a alegria de viver... Porém, a felicidade é traiçoeira: João e Maria perdem a casa que nunca for a deles, mas conservam a esperança e a ternura, embora a fome continue a persegui-los.
Foi através de Ildeberto Gama, ( Companhia Alma de Arame) que fiquei a conhecer o nome de Henrique Delgado, na altura nada sabia sobre esta figura. Apenas que tinha obtido uma bolsa da Fundação Gulbenkian, para efectuar um registo sobre o teatro tradicional de bonifrates português, mas que devido ao seu falecimento prematuro não se teria desenrolado tal estudo.
Como para esta área não há bibliografia disponível, (contam-se pelos dedos), fui encontrando aqui e ali pequnos comentários, mas nada que me fizesse esclarecer sobre a figura.
Em Dezembro passado (2011) eis senão quando, é lançado o livro dedicado a Henrique Delgado, num trabalho estruturado por Rute Ribeiro (Tarumba).
Tenho lido e relido o livro, como se de um tesouro escondido se trata-se muitas novas e preciosas informações se revelaram.
Entre 1964 e 1971 foram vários os artigos e estudos, que revelam uma intensa atividade na pesquisa do teatro de marionetas da epóca.
O livro está á venda no Museu da Marioneta em Lisboa.
Henrique Delgado (1938 - 15 de março de 1971)[1] foi um artistaportuguês. Henrique ficou notório devido a arte da marioneta. A ele se deve muito do que se sabe sobre a marioneta popular portuguesa[2].
Foi um dos principais elementos do Robertoscope, grupo amador de teatro de marionetas que existiu na Casa do Pessoal da Companhia das Águas de Lisboa (hoje EPAL) com direcção de Henrique Trindade.
Este grupo, formado por trabalhadores daquela empresa, apresentou vários programas tendo efectuado mais de oitenta representações no período de 1964 a 1968, ultrapassando os 16.000 espectadores.
Henrique Delgado, fundou também um pequeno teatro seu com o nome de Teatro Lilipute. Escreveu artigos em inúmeros jornais e revistas, com destaque para a Plateia onde manteve uma coluna regular com o título "Bonifrates".[3]
Artigos seus sobre a sua arte foram traduzidos e publicados em mais de uma dezena de países. O seu espólio encontra-se no Museu da Marioneta em Lisboa.